A injustiça da taxação sobre blusinhas importadas: quem ganha com isso?
Em 27 de junho de 2024, o Presidente Luiz Inácio Lula da Silva sancionou o PL 914/2024, que integra o Programa Mobilidade Verde e Inovação (Mover). Entre as medidas sancionadas, está a imposição de 20% de imposto de importação sobre compras internacionais de até US$ 50, tradicionalmente isentas de tributação – a chamada “taxa das blusinhas” Folha de S. Paulo e Agência Brasil.
A justificativa oficial alegava proteção à indústria nacional e apoio à geração de emprego, mas o resultado é desigual. A mudança penaliza especialmente os consumidores comuns que recorriam a sites como Shopee, AliExpress e Shein para adquirir produtos de baixo custo, muitas vezes superiores em qualidade aos disponíveis localmente. Por outro lado, favorece grandes varejistas brasileiros – como Havan, Magazine Luiza, Renner, Americanas, Via Varejo – que pressionaram em busca de reduzir a concorrência estrangeira Reddit.
Para quem realmente protege a taxação?
- Ricos viajantes continuam livres da cobrança até o limite de US$ 1.000 em compras no exterior. Afinal, poucos brasileiros têm acesso a viagens internacionais, e quem consegue traz produtos de marcas diretamente do comércio formal exterior.
- Empresários nacionais que compram e revendem produtos importados, principalmente da china, origem principal das compras hoje taxadas para a população em geral.
- Já o consumidor comum, que realiza micropedidos via e‑commerce, paga 20% de imposto + ICMS estadual (17%), sobre pequenos valores que antes eram isentos. Isso representa uma carga tributária significativa sobre itens de até US$ 50 Senado Federal e Agência Brasil.
Quem foram os protagonistas desse projeto?
👔 O relator na Câmara:

- Deputado Átila Lira (PP‑PI), que apresentou o parecer em 28 de maio de 2024 e incluiu a taxação no PL, atendendo ao lobby de grandes varejistas Estadão.
📜 Votação na Câmara:
- A votação das mudanças do Senado ocorreu em 11 de junho de 2024, com 380 deputados a favor e apenas 26 contra, mas de forma simbólica – sem registro nominal individual dos votos Agência Brasil Poder360.
🏛️ Deputados Federais: votação simbólica e falta de registros
Na Câmara, a votação das mudanças sugeridas pelo Senado — incluindo a inclusão da taxação — ocorreu de forma simbólica, ou seja, sem registro individual dos votos de cada deputado. Foram 380 a favor e 26 contra, mas não se sabe nominalmente quem votou em cada posição Poder360. Mesmo nomes envolvidos foram relatados como contrários mais tarde, como Gustavo Gayer (PL‑GO) e Nikolas Ferreira (PL‑MG) Reuters.
O relator da proposta na Câmara, o deputado Átila Lira (PP‑PI), incluiu a taxação no parecer, atendendo à pressão do varejo nacional — apesar da natureza simbólica da serventia legislativa Poder360.
🏛️ Votação no Senado:
- Em 5 de junho de 2024, o Senado também aprovou a taxação de forma simbólica. Isso significa que não houve registro nominal dos votos favoráveis, apenas de quem se declarou formalmente contra. Os que se manifestaram contra foram: Mecias de Jesus, Alessandro Vieira, Jaime Bagattoli, Cleitinho, Marcos Rogério, Flávio Bolsonaro, Eduardo Girão, Rodrigo Cunha, Carlos Portinho, Rogério Marinho, Irajá e Wilder Morais terra.com.br.
- Já a lista dos senadores favoráveis à taxação, identificada por pesquisas posteriores, inclui dezenas de nomes: Alan Rick, Renan Calheiros, Jaques Wagner, Rodrigo Pacheco, Weverton, Mara Gabrilli, Eduardo Braga, entre muitos outros Hardware.com.br.
🧾 Tabela: Senadores favoráveis e contrários à “taxa das blusinhas”
Baseada em dados consolidados de Hardware.com.br e Agência Senado/CNN Brasil, esta tabela distingue senadores que se manifestaram contrariamente (nome registrado) dos que presumivelmente apoiaram (não registraram voto) CNN Brasil:
| Situação na votação simbólica | Senadores |
|---|---|
| Manifestaram voto CONTRÁRIO (nominalmente registrados) | Rodrigo Cunha (Podemos-AL) Eduardo Girão (NOVO-CE); Wilder Morais (PL-GO); Cleitinho (Republicanos-MG) Carlos Portinho (PL-RJ) Romário (PL-RJ) Flávio Bolsonaro (PL-RJ) Rogério Marinho (PL-RN) Marcos Rogério (PL-RO) Jaime Bagattoli (PL-RO Mecias de Jesus (Republicanos-RR) Alessandro Vieira (MDB-SE) Irajá (PSD-TO) |
| Presumidamente favoráveis (não registraram voto) | Alan Rick (União-AC); Marcio Bittar (União-AC); Sérgio Petação (PSD-AC); Fernando Farias (MDB-AL); Renan Calheiros (MDB-AL) Eduardo Braga (MDB-AM); Omar Aziz (PSD-AM); Plínio Valério (PSDB-AM); Davi Alcolumbre (União-AP); Lucas Barreto ((PSD-AP); Randolfe Rodrigues (sem partido-AP); Angelo Coronel (PSD-BA); Jaques Wagner (PT-BA); Otto Alencar (PSD-BA); Cid Gomes (PSB-CE); Janaína Farias (PT-CE); Damares Alves (Republicanos-DF); Izalci Lucas (PL-DF); Leila Barros (PDT-DF); Fabiano Contarato (PT-ES); Magno Malta (PL-ES); Marcos do Val (Podemos-ES); Jorge Kajuru (PSB-GO); Vanderlan Cardoso (PSD-GO); Ana Paula Lobato (PDT-MA); Eliziane Gama (PSD-MA); Weverton (PDT-MA); Carlos Viana (Podemos-MG) Rodrigo Pacheco (PSD-MG); Nelsinho Trad (PSD-MS); Soraya Thronicke (Podemos-MS); Tereza Cristina (PP-MS); Jayme Campos (União-MT); Margareth Buzetti (PSD-MT); Wellington Fagundes (PL-MT); Beto Faro (PT-PA); Jader Barbalho (MDB-PA); Zequinha Marinho (Podemos-PA); Daniella Ribeiro (PSD-PB); Efraim Filho (União-PB); Veneziano Vital do Rêgo (MDB-PB); Fernando Dueire (MDB-PE); Humberto Costa (PT-PE); Teresa Leitão (PT-PE); Ciro Nogueira (PP-PI); Jussara Lima (PSD-PI); Marcelo Castro (MDB-PI); Flávio Arns (PSB-PR); Orlovisto Guimarães (Podemos-PR); Sergio Moro (União-PR); Styverson Valentim (Podemos-RN); Zenaide Maia (PSD-RN); Confúcio Moura (MDB-RO); Chico Rodrigues (PSB-RR); Dr.Hiran (PP-RR); Hamilton Mourão (Republicanos-RS); Ireneu Orth (PP-RS); Paulo Paim (PT-RS); Esperidião Amin (PP-SC); Ivete da Silveira (MDB-SC); Jorgue Seif (PL-SC); Laércio Oliveira (PP-SE); Rogério Carvalho (PT-SE); Astronatua Marcos Pontes (PL-SP); Giordano (MDB-SP); Mara Gabrilli (PSD-SP); Eduardo Gomes (PL-TO); Professora Dorinha Seabra (União-TO). |
✅ Sancionada por:

- Presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que promulgou a lei em 27 de junho de 2024, validando a taxação com vigência a partir de 1 de agosto de 2024 Agência Brasil Reuters.
🧠 Anotações e contexto editorial
- A votação simbólica foi escolhida por acordos entre líderes partidários, do MDB, PT, PSD e do governo, para evitar desgaste público — especialmente num ano eleitoral. Isso possibilitou aprovação sem exposição pública dos votantes favoráveis Reuters Carta Capital.
- O relator no Senado, Rodrigo Cunha (Podemos‑AL), tentou excluir a taxação do projeto original, mas foi vencido no plenário. Ele manifestou oposição, mas como relator perdeu o “jabuti” inserido pelas lideranças Senado Federal.
📌 Conclusão editorial
É evidente que essa medida não protege o consumidor nem promove justiça social — ao contrário. A proteção robusta vai para quem já está bem posicionado: empresários nacionais que revendem produtos importados. Para aqueles que compravam diretamente do exterior por até US$ 50, sob o regime de isenção, a nova cobrança transformou simples blusinhas em produtos fiscalmente penalizados, cidadãos que não viajam ao exterior carregaram o fardo tributário de quem consegue viajar.
A isenção federal original beneficiava pequenos consumidores; agora sob a taxa, quem compra por e‑commerce enfrenta uma carga desproporcional. Ao mesmo tempo, os mais privilegiados, viajantes, continuam livres dessa tributação dentro do patamar de US$ 1.000. A política pública foi moldada para favorecer interesses concentrados, longe das necessidades da maioria.
Referências utilizadas:
- Agência Brasil e UOL/E Stadão sobre sanção e valores da taxação Estadão
- Votação na Câmara e no Senado, incluindo relatoria de Átila Lira Agência BrasilSenado FederalPoder360
- Listas de senadores favoráveis e contrários à medida Hardware.com.brterra.com.brHardware.com.br
- Relatos de lobby de grandes varejistas e crítica por usuários em redes RedditReddit
- Verificação da Reuters esclarecendo que não houve votação nominal na Câmara Reuters.